OS PONTOS CARDEAIS DO CRIMINALISTA

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OS PONTOS CARDEAIS DO CRIMINALISTA

OS PONTOS CARDEAIS DO CRIMINALISTA.

Por Eduardo Araújo.

Não se sabe ao certo quando e nem o porquê, mas advogar na seara criminal se transformou num verdadeiro ato de persistência, combinado com fé, coragem, paciência, humildade, honestidade, trabalho duro, mas, sem nenhuma dúvida, sempre foi e sempre será um ato de muito amor e resistência.

Compreender esses pontos essenciais, norteadores, cardeais, é entender o motivo pelo qual continuamos em frente mesmo quando tudo impõe a parada. Somos parte do mesmo corpo, somos defensores por natureza e incansáveis perseguidores da liberdade, pautamos nossa atuação no Direito e na justiça, razão pela qual falar de um é falar de todos – dos bons, óbvio.

Iniciando nossa análise e como ponto de partida, cito a persistência. A cotidiana, inabalável mesmo diante de tantas e todas as ilegalidades quemuitas vezes – pasmem –são cometidas pelos próprios guardiões das leis. Persistência em dizer sempre o óbvio para quem parece não estar muito interessado em ouvir – apesar de ser o seu dever, de ser a lógica, o legal, de ser o que minimamente se espera, etc. -, persistência em acreditar nas pessoas e nas instituições como garantidores da Constituição e do bem comum.

A persistência é uma virtude que acompanha os vencedores.
Depois, a fé, pois esta nunca pode faltar em nenhum campo da vida. Advogar sempre foi um exercício de fé. Fé esta que se confunde muitas vezes com a religiosa – que não faz mal a ninguém -, mas que elege a Constituição Federal da República, a Carta Cidadã, a Constituição do povo e toda a legislação infraconstitucional como norteadora dos atos da vida em sociedade e da atuação do Estado e da própria advocacia.

Não poderia ser diferente!
Na sequência, coragem, sempre. Para combater os violadores, lutar pelos Direitos, pela sociedade, pelas leis, pelas prerrogativas do advogado– e consequentemente pelo fortalecimento da advocacia de maneira geral -, e também pelo Estado democrático de Direito. Já dizia o saudoso Sobral Pinto em lição que sempre será atual: “a advocacia não é profissão para covardes”. A luta sempre acompanhou e sempre acompanhará a advocacia criminal tal como uma sombra, um perseguidor, mas indubitavelmente triunfaremos.

Bom, o que sabemos é que, como o próprio hino nacional preconiza: “verás que um filho teu não foge à luta!”. Eles que venham e tentem.
De igual forma, a paciência me parece ser uma qualidade dos grandes. Foi assim com Martin Luther King Jr., com o Dalai Lama, o Mandela e até mesmo com Jesus Cristo. Acho que não é preciso discorrer mais sobre esse ponto.

Os grandes estrategistas dominam a arte da paciência.O nome já denuncia: (…)ciência.
Sobre a humildade, esta também sempre acompanhou os maiores. Ela é uma lição pra vida. A humildade em reconhecer que sempre temos o que aprender – e ensinar – é a chave para o êxito, seja no campo profissional, seja no pessoal. O bom criminalista deve ser conhecidoantesde tudo por ser um bom indivíduo para que depois possa ser reconhecido como um bom advogado.

Sei humilde, já disse alguém muito importante há muitos…
Embora a tentativa infrutíferados maus em querer tornar o exercício da advocacia além de criminoso, desonesto, esta não é uma premissa sobre a qual o criminalista pauta o seu trabalho. A honestidade sempre deve acompanhar – e acompanha – o bom criminalista. Falo do “jogo limpo”. É importante alimentar esse “fair play” com o cliente, com o processo, com os atores processuais e com você mesmo.

Perceba: mais uma lição da vida para o exercício do nosso mister. Quem é bom nunca sofre!
Trabalhe duro sempre! Não descanse, não esmoreça, pessoas dependem muito de você e depositam no teu trabalho toda sua confiança. Lembremos que não raras vezes somos a única conexão destes com a esperança de dias melhores e com o senso mínimo de justiça. O trabalho incessante sempre irá acompanhar o criminalista, e este, como já dito, não foge da luta. As renúncias pessoais de cada advogado e advogada é sempre em nome do bem de terceiros e da concretização da justiça. Nunca é somente pelo dinheiro, pois às vezes este nem aparece. Tem algo a mais. Essa doação pode te retirar algumas coisas, mas colocará outras igualmente especiais no lugar.

Mas, lembrem-se, aprender a “dosar” a carga de trabalho também faz parte da construção do sucesso.
E o amor? Ah, o amor. Não há como ser advogado criminalista sem sentir amor pelo que faz. Amor pelo Direito, pelas leis, pela manutenção de um Estado livre e democrático, onde as garantias fundamentais da coletividade e do indivíduo devem sempre ser respeitadas, onde não importa o que digam, sempre haverá defesa. É desse amor que estamos falando. Afinal, qual outra razão teríamos para continuar persistindo, tendo fé, coragem e paciência, senão por amor? Vivemos o amor dos românticos, onde o objeto desse amor, mesmo sendo maltratado pelos antagonistas do Direito, sempre nos corresponde. E tem amor melhor que o correspondido?

Tal qual nos grandes romances, mesmo passando por sérias dificuldades, os amantes sempre triunfam. Não seria diferente conosco.
Por fim, quando falo de resistência, avoco aquela que é a nossa bandeira, o mote dos nossos trabalhos, aquilo que mantém viva a chama para continuarmos aqui, mesmo contra tudo e contra todos: a resistência democrática. Aquela velha história da última trincheira da sociedade.

Prazer, esses somos nós!
Em tempos que a advocacia vem sendo alvo de diversos movimentos no sentido de sua criminalização, difícil imaginar que o jovem advogado, aquele recém-formado, tenha motivos – ou queira – iniciar sua carreira nessa área.
Nós que já estamos há um pouco mais de tempo na batalha ficamos muito felizes em ver que, apesar dos pesares, a advocacia criminal ainda consegue filiados – estamos salvos, teremos defensores! -, então, por óbvio, isso não é o que me preocupa.
É claro que essas qualidades aqui listadas não pretendem fazer parte de um rol taxativo, pois muitas outras podem – e devem – acompanhar o criminalista, mas depois tudo isso – que vem do fundo, certamente da alma e do coração -, meus amigos e amigas criminalistas, jovens ou mais experientes, de qualquer parte do mapa, do sertão ou da capital, vos digo ao final: enchei-vos de vós mesmos, encarai o teu chamado, tudo isto é o que somos e nunca será diferente.
As lutas diárias podem ousar tentar nos cansar, os outros, que infelizmente não entendem o nosso valor e parecem não querer ver que lutamos em nome deles podem tentar nos desanimar, mas estas investidas sempre foram e sempre serãosem sucesso. Ninguém poderá tirar de ti o que você sabe e nem anular o que você é.
É isso que somos. Então, sejamos.

 

EDUARDO ARAÚJO
ADVOGADO CRIMINALISTA
PRESIDENTE DA ANACRIM PERNAMBUCO

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